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domingo, 4 de novembro de 2012

Primeiro ano de Escola

        Naquele ano de 1953 não fomos passar o inverno na Serra. Até porque as chuvas foram escassas. Eu já estava com a idade de ir pra Escola. Então meus pais resolveram morar na cidade. Naquele tempo não se falava em pre escola. Eram três primeiros anos: Sessão A, B e C. A sessão C era o primeiro ano forte. Essa era a nomenclatura conhecida por pais e alunos. Mas, no cabeçário das atividades escolares era colocado dessa forma: Grupo Escolar tal - Sessão A. Por exemplo. Comecei na sessão A já sabendo ler. A professora titular da classe  era D. Maria Laíse  Osterne. Mas era a sua irmã, D. Elaine quem sempre assumia as aulas em seu lugar. Nunca soube bem porque. Só sei que o meu primeiro dia de aula foi com D. Elaine. Ela era bonita, agradável...Tinha uma letra cursiva muito bonita. Caí de amores pela professora logo nos primeiros dias. Ficava  triste quando não era ela a dar a aula. Lembro que a primeira atividade escolar foi fazer cópia do texto que a professora escreveu no quadro negro. Acho que aquela atividade era a primeira avaliação. A partir dali dava pra ser feita uma sondagem do nível de cada aluno. Lembro que uma das colegas, Eulira, comentou que minha letra era boa. E a minha cópia não teve erros. De memória só lembro de quatro colegas: Mundinha Costa (minha prima), Adiléa Saraiva, Eulira, Francisca(Chica, irmã de Pixita) e Neusa, filha de Zé de Rosa. Aprendi com D. Elaine a conhecer as horas. Ela mandava olhar o lugar em que os ponteiros estavam, num relógio grande que havia na perede da entrada. Do Grupo Pe. Joaquim de Meneses tenho lembranças esparsas. Da fila na hora da chegada, no pátio central... Eu ficava observando as alunas maiores, dos últimos anos, que ficavam conversando na fila. Nessa fila a gente cantava um hino antes de entrar em sala de aula. Era uma norma das escolas. Quando fui estudar em Tabuleiro havia o mesmo procedimento. A diretora do Joaquim de Meneses, nessa época, era D. Jesumira Guedes Figueiredo, conhecida como D. Mira. Ela era enérgica, todos os alunos a temiam. Ficavam todos muito quietos na presença dela. Em postagem posterior colocarei mais alguns detalhes da minha primeia escola.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Educação Primária nos anos de 1950

  
      "Toda a educação varia sempre em função de uma "concepção da vida", refletindo, em cada época, a filosofia predominante que é determinada, a seu turno, pela estrutura da sociedade. E' evidente que as diferentes camadas e grupos (classes) de uma sociedade dada terão respectivamente opiniões diferentes sobre a "concepção do mundo", que convém fazer adotar ao educando e sobre o que é necessário considerar como "qualidade socialmente útil"


  "Os historiadores usam várias fontes de informação para construir a sucessão de processos históricos, como, por exemplo, escritos, gravações,entrevistas (História oral) e achados arqueológicos. Algumas abordagens são mais frequentes em certos períodos do que em outros e o estudo da História também acaba apresentando costumes e modismos (o historiador procura, no presente, respostas sobre o passado, ou seja, é influenciado pelo presente)."

Pra mim História é uma paixão. Estou cursando História na UECE/FAFIDAM.
Pretendo fazer minha monografia sobre os meus tempos de escola. Isto é, as minhas lembranças da escola me servirão de fonte para elaboração de uma História da Educação primária em Limoeiro do Norte, em meados do século XX. 

Comecei a estudar na escola formal já com oito anos em 1953, no Grupo Escolar Padre Joaquim de Menezes. Tinha sido alfabetizada pela minha mãe tendo como material didático a antiga Carta de ABC. Já sabia ler e escrever com desenvoltura.


Antiga Carta do ABC do Professor Landelino Rocha
"Nos tempos da escola primária, aprendíamos a ler na Carta de ABC do professor Landelino Rocha. Depois de conhecer as primeiras letras do alfabeto, aprendíamos o bê-a-bá nas monossílabas. Noutra página da Carta de ABC, aprendíamos a combinação de algumas monossílabas em orações: "A preguiça é a chave da pobreza - O que não ouve conselhos raras vezes acerta - O amor de Deus é o princípio da sabedoria - Sem religião e sem justiça não há liberdade - A religião tem por pedestal a humanidade - Vale mais adormecer sem ceia que acordar com dívidas - A instrução é o adorno do rico e a riqueza do pobre - É vergonhoso dizer aquilo que não é decente fazer - A perseverança vence todas as dificuldades - A fome dá ao pobre o direito sagrado de importunar o rico."

" Estudos histórico-educativos têm caracterizado a segunda metade do século XIX como um período marcado pela intensificação dos debates em torno de um projeto de escolarização para a sociedade brasileira. Os debates incluíam discussões sobre os modelos de organização espaço-temporal e metodológica da escola primária, as formas de profissionalização do magistério e os saberes que deveriam ser ensinados. No que se refere, mais especificamente, ao ensino da leitura, dois aspectos ocuparam a atenção de professores, intelectuais, legisladores e administradores da instrução pública. Primeiro, definir a metodologia de ensino mais eficiente para o aprendizado inicial da leitura e, segundo, a eleição do material de leitura mais adequado à formação dos novos leitores.  Neste sentido é possível afirmar que a história da  alfabetização encontra-se intimamente entrelaçada à história das escolas primárias e, também, à história dos objetos materiais que serviram de apoio ao trabalho dos professores, no ensino da leitura e escrita. Dentre os materiais impressos para alfabetização em circulação no país durante o período em estudo, destacam-se as  cartas de abc, as cartilhas escolares portuguesas e as cartilhas escolares nacionais." 

Quando fiz meu curso primário o ensino tinha como diretriz o Manifesto dos Pioneiros de 1932. E ainda predominavam, como material didático, a carta de ABC e as cartilhas.