Naquele ano de 1953 não fomos passar o inverno na Serra. Até porque as chuvas foram escassas. Eu já estava com a idade de ir pra Escola. Então meus pais resolveram morar na cidade. Naquele tempo não se falava em pre escola. Eram três primeiros anos: Sessão A, B e C. A sessão C era o primeiro ano forte. Essa era a nomenclatura conhecida por pais e alunos. Mas, no cabeçário das atividades escolares era colocado dessa forma: Grupo Escolar tal - Sessão A. Por exemplo. Comecei na sessão A já sabendo ler. A professora titular da classe era D. Maria Laíse Osterne. Mas era a sua irmã, D. Elaine quem sempre assumia as aulas em seu lugar. Nunca soube bem porque. Só sei que o meu primeiro dia de aula foi com D. Elaine. Ela era bonita, agradável...Tinha uma letra cursiva muito bonita. Caí de amores pela professora logo nos primeiros dias. Ficava triste quando não era ela a dar a aula. Lembro que a primeira atividade escolar foi fazer cópia do texto que a professora escreveu no quadro negro. Acho que aquela atividade era a primeira avaliação. A partir dali dava pra ser feita uma sondagem do nível de cada aluno. Lembro que uma das colegas, Eulira, comentou que minha letra era boa. E a minha cópia não teve erros. De memória só lembro de quatro colegas: Mundinha Costa (minha prima), Adiléa Saraiva, Eulira, Francisca(Chica, irmã de Pixita) e Neusa, filha de Zé de Rosa. Aprendi com D. Elaine a conhecer as horas. Ela mandava olhar o lugar em que os ponteiros estavam, num relógio grande que havia na perede da entrada. Do Grupo Pe. Joaquim de Meneses tenho lembranças esparsas. Da fila na hora da chegada, no pátio central... Eu ficava observando as alunas maiores, dos últimos anos, que ficavam conversando na fila. Nessa fila a gente cantava um hino antes de entrar em sala de aula. Era uma norma das escolas. Quando fui estudar em Tabuleiro havia o mesmo procedimento. A diretora do Joaquim de Meneses, nessa época, era D. Jesumira Guedes Figueiredo, conhecida como D. Mira. Ela era enérgica, todos os alunos a temiam. Ficavam todos muito quietos na presença dela. Em postagem posterior colocarei mais alguns detalhes da minha primeia escola.
domingo, 4 de novembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Leis para a Educação no Brasil.
Como me referi em postagem anterior, quando fiz o curso primário, nos anos 50 do século XX, o ensino ainda se baseava no documento denominado "O Manifesto dos Pioneiros, pois a primeira LDB, Lei de Diretrizes e Base da Educação, só foi instituída em 1961 como podemos verificar no texto a seguir.
Fonte de Pesquisa do Google.
"O Ministério da Educação foi criado em 1930, logo após a chegada de Getúlio Vargas ao poder. Com o nome de Ministério da Educação e Saúde Pública, a instituição desenvolvia atividades pertinentes a vários ministérios como saúde, esporte, educação e meio ambiente. Até então, os assuntos ligados à educação eram tratados pelo Departamento Nacional do Ensino, ligado ao Ministério da Justiça.Em 1932, um grupo de intelectuais preocupado em elaborar um programa de política educacional amplo e integrado lança o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, redigido por Fernando de Azevedo e assinado por outros conceituados educadores, como Anísio Teixeira. O manifesto propunha que o Estado organizasse um plano geral de educação e definisse a bandeira de uma escola única, pública, laica, obrigatória e gratuita. Nessa época, a igreja era concorrente do Estado na área da educação.
Foi em 1934, com a nova constituição federal, que a educação passa a ser vista como um direito de todos, devendo ser ministrada pela família e pelos poderes públicos.De 1934 a 1945, o então ministro da Educação e Saúde Pública, Gustavo Capanema Filho, promove uma gestão marcada pela reforma dos ensinos secundário e universitário. Nessa época, o Brasil já implantava as bases da educação nacional. Até 1953, foi Ministério da Educação e Saúde. Com a autonomia dada à área da saúde surge o Ministério da Educação e Cultura, com a sigla MEC.O sistema educacional brasileiro até 1960 era centralizado e o modelo era seguido por todos os estados e municípios. Com a aprovação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em 1961, os órgãos estaduais e municipais ganharam mais autonomia, diminuindo a centralização do MEC. Foram necessários treze anos de debate (1948 a 1961) para a aprovação da primeira LDB. O ensino religioso facultativo nas escolas públicas foi um dos pontos de maior disputa para a aprovação da lei. O pano de fundo era a separação entre o Estado e a Igreja. O salário educação, criado em 1962, também é um fato marcante na história do Ministério da Educação. Até hoje, essa contribuição continua sendo fonte de recursos para a educação básica brasileira."
O Manifesto dos Pioneiros
Ponto de Vista
Em março de 1932 era exposto ao público o Manifesto dos Pioneiros da Educação. Faz 80 anos, portanto, que um texto incomum àquele tempo brasileiro idealizava um modelo de educação democrática. Dele, herdamos os principais elementos das políticas públicas educacionais que vivenciamos hoje.
Os pioneiros, ou renovadores, foram aqueles “educadores” formados em áreas distintas do conhecimento que labutaram por uma nova educação. Destes educadores, que não foram poucos, existiu uma tríade muito importante e influenciadora, todos com formação em Direito. O redator do Manifesto, sr. Fernando de Azevedo, um inspirador da Educação Nova, o sr. Anísio Teixeira, e um dos comandantes das reformas dos anos 1920, o sr. Lourenço Filho. Fundaram e participaram de uma das primeiras instituições voltadas para discutir a educação, a Associação Brasileira de Educação (ABE), que organizou as primeiras Conferências Nacionais de Educação, iniciando nos anos de 1920. Assim, ABE, Pioneiros e Conferências buscaram uma articulação nacional em torno de um Plano Nacional de Educação que desse um salto quantitativo expandindo a oferta educacional para a população de baixa renda.
Os Pioneiros militavam sob dois campos: o de base pedagógica, inovando aspectos didáticos que foram incorporados pela maior parte dos sistemas de educação, públicos e privados (e confessionais), e sob os aspectos da política educacional. Neste último, militaram contra os educadores católicos que tinham como principal objetivo uma educação para formar cristãos patriotas, financiamento público para suas escolas e o controle sobre o modo de educar. Os Católicos eram ferrenhos defensores do ensino religioso obrigatório, liberdade de ensino e monopólio do mesmo.
Mas os pioneiros lutaram também contra os ideais anarquistas, socialistas e comunistas que tinham, grosso modo, um ideal de formação de um homem emancipado para a transformação social (para o socialismo).
Os Pioneiros centraram suas idealizações em quatro pontos principais: a) gratuidade e publicidade; b) laicidade da educação; c) coeducação e d) obrigatoriedade. O que significava que a educação deveria ser pública e gratuita; não poderia sofrer interferência religiosa; que a educação deveria ser ofertada para meninos e meninas e que fosse ampla e obrigatória.
O método de ensino renovador centrava nos alunos os postulados de competência intelectual individual. Eram assim inspirados nos ideais liberais clássicos que imputavam a liberdade e a igualdade como condições para uma nova sociedade. Diante de um sistema tradicional de educação, cultura, política e economia, eram uma novidade.
A educação era condição “sine qua non” para que os sujeitos tivessem igualdade no ponto de partida e, a partir disto, pudessem disputar no mercado, se adequar ao mercado, por meio de sua competência, superar sua condição social. Trata-se, portanto, de um postulado liberal-democrático, o qual constituía para a formação de homens livres e iluminados que iriam transformar a sociedade em livre, iluminada e igual.
Estas ideias são antiquadas? Estão postas hoje em nosso modo de educar? Herdamos o que dos pioneiros? Vamos conversando. Até o próximo encontro com o legado dos pioneiros.
Antônio Bosco de Lima (Faced/UFU
Educação Primária nos anos de 1950
"Toda a educação varia sempre em função de uma "concepção da vida", refletindo, em cada época, a filosofia predominante que é determinada, a seu turno, pela estrutura da sociedade. E' evidente que as diferentes camadas e grupos (classes) de uma sociedade dada terão respectivamente opiniões diferentes sobre a "concepção do mundo", que convém fazer adotar ao educando e sobre o que é necessário considerar como "qualidade socialmente útil"
"Os historiadores usam várias fontes de informação para construir a sucessão de processos históricos, como, por exemplo, escritos, gravações,entrevistas (História oral) e achados arqueológicos. Algumas abordagens são mais frequentes em certos períodos do que em outros e o estudo da História também acaba apresentando costumes e modismos (o historiador procura, no presente, respostas sobre o passado, ou seja, é influenciado pelo presente)."
Pra mim História é uma paixão. Estou cursando História na UECE/FAFIDAM.
Pretendo fazer minha monografia sobre os meus tempos de escola. Isto é, as minhas lembranças da escola me servirão de fonte para elaboração de uma História da Educação primária em Limoeiro do Norte, em meados do século XX.
Comecei a estudar na escola formal já com oito anos em 1953, no Grupo Escolar Padre Joaquim de Menezes. Tinha sido alfabetizada pela minha mãe tendo como material didático a antiga Carta de ABC. Já sabia ler e escrever com desenvoltura.
" Estudos histórico-educativos têm caracterizado a segunda metade do século XIX como um período marcado pela intensificação dos debates em torno de um projeto de escolarização para a sociedade brasileira. Os debates incluíam discussões sobre os modelos de organização espaço-temporal e metodológica da escola primária, as formas de profissionalização do magistério e os saberes que deveriam ser ensinados. No que se refere, mais especificamente, ao ensino da leitura, dois aspectos ocuparam a atenção de professores, intelectuais, legisladores e administradores da instrução pública. Primeiro, definir a metodologia de ensino mais eficiente para o aprendizado inicial da leitura e, segundo, a eleição do material de leitura mais adequado à formação dos novos leitores. Neste sentido é possível afirmar que a história da alfabetização encontra-se intimamente entrelaçada à história das escolas primárias e, também, à história dos objetos materiais que serviram de apoio ao trabalho dos professores, no ensino da leitura e escrita. Dentre os materiais impressos para alfabetização em circulação no país durante o período em estudo, destacam-se as cartas de abc, as cartilhas escolares portuguesas e as cartilhas escolares nacionais."
Quando fiz meu curso primário o ensino tinha como diretriz o Manifesto dos Pioneiros de 1932. E ainda predominavam, como material didático, a carta de ABC e as cartilhas.
Antiga Carta do ABC do Professor Landelino Rocha
"Nos tempos da escola primária, aprendíamos a ler na Carta de ABC do professor Landelino Rocha. Depois de conhecer as primeiras letras do alfabeto, aprendíamos o bê-a-bá nas monossílabas. Noutra página da Carta de ABC, aprendíamos a combinação de algumas monossílabas em orações: "A preguiça é a chave da pobreza - O que não ouve conselhos raras vezes acerta - O amor de Deus é o princípio da sabedoria - Sem religião e sem justiça não há liberdade - A religião tem por pedestal a humanidade - Vale mais adormecer sem ceia que acordar com dívidas - A instrução é o adorno do rico e a riqueza do pobre - É vergonhoso dizer aquilo que não é decente fazer - A perseverança vence todas as dificuldades - A fome dá ao pobre o direito sagrado de importunar o rico."
" Estudos histórico-educativos têm caracterizado a segunda metade do século XIX como um período marcado pela intensificação dos debates em torno de um projeto de escolarização para a sociedade brasileira. Os debates incluíam discussões sobre os modelos de organização espaço-temporal e metodológica da escola primária, as formas de profissionalização do magistério e os saberes que deveriam ser ensinados. No que se refere, mais especificamente, ao ensino da leitura, dois aspectos ocuparam a atenção de professores, intelectuais, legisladores e administradores da instrução pública. Primeiro, definir a metodologia de ensino mais eficiente para o aprendizado inicial da leitura e, segundo, a eleição do material de leitura mais adequado à formação dos novos leitores. Neste sentido é possível afirmar que a história da alfabetização encontra-se intimamente entrelaçada à história das escolas primárias e, também, à história dos objetos materiais que serviram de apoio ao trabalho dos professores, no ensino da leitura e escrita. Dentre os materiais impressos para alfabetização em circulação no país durante o período em estudo, destacam-se as cartas de abc, as cartilhas escolares portuguesas e as cartilhas escolares nacionais."
Quando fiz meu curso primário o ensino tinha como diretriz o Manifesto dos Pioneiros de 1932. E ainda predominavam, como material didático, a carta de ABC e as cartilhas.
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