sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Manifesto dos Pioneiros


      Ponto de Vista 


     Em março de 1932 era exposto ao público o Manifesto dos Pioneiros da Educação. Faz 80 anos, portanto, que um texto incomum àquele tempo brasileiro idealizava um modelo de educação democrática. Dele, herdamos os principais elementos das políticas públicas educacionais que vivenciamos hoje.
Os pioneiros, ou renovadores, foram aqueles “educadores” formados em áreas distintas do conhecimento que labutaram por uma nova educação. Destes educadores, que não foram poucos, existiu uma tríade muito importante e influenciadora, todos com formação em Direito. O redator do Manifesto, sr. Fernando de Azevedo, um inspirador da Educação Nova, o sr. Anísio Teixeira, e um dos comandantes das reformas dos anos 1920, o sr. Lourenço Filho. Fundaram e participaram de uma das primeiras instituições voltadas para discutir a educação, a Associação Brasileira de Educação (ABE), que organizou as primeiras Conferências Nacionais de Educação, iniciando nos anos de 1920. Assim, ABE, Pioneiros e Conferências buscaram uma articulação nacional em torno de um Plano Nacional de Educação que desse um salto quantitativo expandindo a oferta educacional para a população de baixa renda.
Os Pioneiros militavam sob dois campos: o de base pedagógica, inovando aspectos didáticos que foram incorporados pela maior parte dos sistemas de educação, públicos e privados (e confessionais), e sob os aspectos da política educacional. Neste último, militaram contra os educadores católicos que tinham como principal objetivo uma educação para formar cristãos patriotas, financiamento público para suas escolas e o controle sobre o modo de educar. Os Católicos eram ferrenhos defensores do ensino religioso obrigatório, liberdade de ensino e monopólio do mesmo.
Mas os pioneiros lutaram também contra os ideais anarquistas, socialistas e comunistas que tinham, grosso modo, um ideal de formação de um homem emancipado para a transformação social (para o socialismo).

Os Pioneiros centraram suas idealizações em quatro pontos principais: a) gratuidade e publicidade; b) laicidade da educação; c) coeducação e d) obrigatoriedade. O que significava que a educação deveria ser pública e gratuita; não poderia sofrer interferência religiosa; que a educação deveria ser ofertada para meninos e meninas e que fosse ampla e obrigatória.

O método de ensino renovador centrava nos alunos os postulados de competência intelectual individual. Eram assim inspirados nos ideais liberais clássicos que imputavam a liberdade e a igualdade como condições para uma nova sociedade. Diante de um sistema tradicional de educação, cultura, política e economia, eram uma novidade.
A educação era condição “sine qua non” para que os sujeitos tivessem igualdade no ponto de partida e, a partir disto, pudessem disputar no mercado, se adequar ao mercado, por meio de sua competência, superar sua condição social. Trata-se, portanto, de um postulado liberal-democrático, o qual constituía para a formação de homens livres e iluminados que iriam transformar a sociedade em livre, iluminada e igual.

Estas ideias são antiquadas? Estão postas hoje em nosso modo de educar? Herdamos o que dos pioneiros? Vamos conversando. Até o próximo encontro com o legado dos pioneiros.

Antônio Bosco de Lima (Faced/UFU


Educação Primária nos anos de 1950

  
      "Toda a educação varia sempre em função de uma "concepção da vida", refletindo, em cada época, a filosofia predominante que é determinada, a seu turno, pela estrutura da sociedade. E' evidente que as diferentes camadas e grupos (classes) de uma sociedade dada terão respectivamente opiniões diferentes sobre a "concepção do mundo", que convém fazer adotar ao educando e sobre o que é necessário considerar como "qualidade socialmente útil"


  "Os historiadores usam várias fontes de informação para construir a sucessão de processos históricos, como, por exemplo, escritos, gravações,entrevistas (História oral) e achados arqueológicos. Algumas abordagens são mais frequentes em certos períodos do que em outros e o estudo da História também acaba apresentando costumes e modismos (o historiador procura, no presente, respostas sobre o passado, ou seja, é influenciado pelo presente)."

Pra mim História é uma paixão. Estou cursando História na UECE/FAFIDAM.
Pretendo fazer minha monografia sobre os meus tempos de escola. Isto é, as minhas lembranças da escola me servirão de fonte para elaboração de uma História da Educação primária em Limoeiro do Norte, em meados do século XX. 

Comecei a estudar na escola formal já com oito anos em 1953, no Grupo Escolar Padre Joaquim de Menezes. Tinha sido alfabetizada pela minha mãe tendo como material didático a antiga Carta de ABC. Já sabia ler e escrever com desenvoltura.


Antiga Carta do ABC do Professor Landelino Rocha
"Nos tempos da escola primária, aprendíamos a ler na Carta de ABC do professor Landelino Rocha. Depois de conhecer as primeiras letras do alfabeto, aprendíamos o bê-a-bá nas monossílabas. Noutra página da Carta de ABC, aprendíamos a combinação de algumas monossílabas em orações: "A preguiça é a chave da pobreza - O que não ouve conselhos raras vezes acerta - O amor de Deus é o princípio da sabedoria - Sem religião e sem justiça não há liberdade - A religião tem por pedestal a humanidade - Vale mais adormecer sem ceia que acordar com dívidas - A instrução é o adorno do rico e a riqueza do pobre - É vergonhoso dizer aquilo que não é decente fazer - A perseverança vence todas as dificuldades - A fome dá ao pobre o direito sagrado de importunar o rico."

" Estudos histórico-educativos têm caracterizado a segunda metade do século XIX como um período marcado pela intensificação dos debates em torno de um projeto de escolarização para a sociedade brasileira. Os debates incluíam discussões sobre os modelos de organização espaço-temporal e metodológica da escola primária, as formas de profissionalização do magistério e os saberes que deveriam ser ensinados. No que se refere, mais especificamente, ao ensino da leitura, dois aspectos ocuparam a atenção de professores, intelectuais, legisladores e administradores da instrução pública. Primeiro, definir a metodologia de ensino mais eficiente para o aprendizado inicial da leitura e, segundo, a eleição do material de leitura mais adequado à formação dos novos leitores.  Neste sentido é possível afirmar que a história da  alfabetização encontra-se intimamente entrelaçada à história das escolas primárias e, também, à história dos objetos materiais que serviram de apoio ao trabalho dos professores, no ensino da leitura e escrita. Dentre os materiais impressos para alfabetização em circulação no país durante o período em estudo, destacam-se as  cartas de abc, as cartilhas escolares portuguesas e as cartilhas escolares nacionais." 

Quando fiz meu curso primário o ensino tinha como diretriz o Manifesto dos Pioneiros de 1932. E ainda predominavam, como material didático, a carta de ABC e as cartilhas.